Tempo de Cordel

Este blog tem como objetivo contribuir para a divulgação do projeto de pesquisa desenvolvido por professores e alunos da Universidade Estadual de Londrina - Literatura popular: os folhetos de cordel da Biblioteca Central/UEL; pesquisa, preservação e divulgação.

quarta-feira, maio 04, 2011

Xilogravura e Técnicas de Impressão

As técnicas de impressão foram aperfeiçoadas ao longo do tempo. No início do século XX, a tipografia representava o que havia de avançado no campo da impressão em grande escala. E, justamente, datam desse período (1906) os primeiros folhetos impressos de que se tem notícia, de autoria de Leandro Gomes de Barros. Alguns dos folhetos por ele produzidos trazem as informações da casa impressora (Typographia Mendes, do folheto “Como João Leso vendeu o Bispo”, s. d., Typographia Moderna, com endereço, de “As cousas mudadas / Historia de João da Cruz - 4º vol.”, s. d., e Typographia do Jornal do Recife, de “A crise actual e o augmento do sello / A urucubaca / O antigo e o moderno”, de 1915). Muitos deles são decorados com elementos tipográficos – bordas, vinhetas, figuras animais, vegetais ou mesmo humanas criadas para fins de ornamentação tipográfica. Outro recurso foram os desenhos realizados para ilustrar o assunto tratado, cuja reprodução dependia de uma matriz gravada, como o clichê de metal. A xilogravura também foi utilizada como alternativa, seguramente feita pelos profissionais denominados “abridores de madeira”, muito requisitados no final do século XIX. Essas xilogravuras têm como característica o rigor em sua elaboração, com contornos e traços delicadamente talhados. Entretanto, uma imagem, representando Antonio Silvino, elaborado com menos rigor em seu traçado, revela os veios da madeira, ao mesmo tempo em que apresenta o personagem em movimento, com linhas sinuosas, diferentemente de inúmeras xilogravuras realizadas a partir de meados da década de 1920.

Para ter noção do significado dessas palavras em relação à xilogravura, bem como de suas diferentes possibilidades de exploração como linguagem artística, foram apresentados ao grupo de pesquisa xilogravuras de Dürer (Alemanha, 1471-1528), Goeldi (Brasil, 1895-1961), Hokusai (Japão, 1760-1849) e algumas imagens do livro “Imagem e Letra”, de Orlando da Costa Ferreira. Explicou-se em linhas gerais os diferentes resultados obtidos com a xilogravura ao fio (a tábua é cortada no sentido longitudinal da árvore) e ao topo (em que a madeira é cortada transversalmente, ou seja, o corte é perpendicular às fibras), que exigem, cada uma, ferramentas específicas: goivas, formões e facas para a primeira e buril para a segunda. Falou-se também que, além da prensa, a impressão xilográfica pode ser obtida com uma colher.

A título de curiosidade, os alunos puderam ver ampliada a organização das cores CMYK (ciano, magenta, amarelo e preto) em uma impressão offset, bem como a da impressão a laser e a da jato de tinta, através da lupa conta fios. O aspecto mais interessante da atividade foi constatar que uma xilogravura impressa em um marcador de páginas era, na realidade, reprodução em offset.

Com essas informações, passou-se à identificação das técnicas de ilustração utilizadas nos folhetos de cordel, tomando como exemplo alguns folhetos do acervo e imagens digitalizadas de outros, trazidas pela Profa. Luli.





Referências:

FERREIRA, Orlando da Costa. Imagem e Letra - introdução à bibliologia brasileira, São Paulo: EDUSP, 1994, 2ª. ed.

Folhetos citados:

BARROS, Leandro Gomes de. A crise actual e o augmento do sello / A urucubaca / O antigo e o moderno. Recife: Typografia Jornal do Recife, 1915.

______. Como João Leso vendeu o Bispo. S. l.: Typographia Moderna, s. d.

______. As cousas mudadas / História de João da Cruz (4º vol.). S. l.: Typographia Mendes, s. d.



Luli Hata é mestre em Teoria Literária pela Unicamp e atualmente é professora dos departamentos de Artes Visuais e Design Gráfico da UEL, além de participar do grupo de Pesquisa Tempo de Cordel. O texto acima resume o encontro que aconteceu em 20/04/2011, quando a professora Luli falou sobre a técnica da Xilogravura e outras técnicas de impressão.

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